segunda-feira, 16 de março de 2009

A Estátua (03/02/2002)

Era uma forma triste
Aquela que velava...

Uma branca estátua,
A face nua,
Pálida à luz clara da lua
Que lá do firmamento
A iluminava...

Sobre meu túmulo
Uma lágrima rolava...
E um pranto convulsivo,
Um triste lamento
Pelo cemitério ecoava...

Era ela, tão triste,
Que chorava...
E sobre meu jazigo,
Num último adeus!
Minha lápide beijava...


(® P.O.Velásquez)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Saudades-Perpétuas (12/07/2008)

Chorando, as lembranças surgiam,
Sem medo, no meio da escuridão!
Suavemente teus lábios gemiam...
Sussurros na minha solidão...

Tudo o que fui sinto assim morrer!
Ilusões que balançam cadafalsos!
Delírios d’almas por ti querer!
Sonhos que sonhando passo!

As brumas amortalham teu corpo frio,
E tornam os delírios mais dementes!
Acorrentados anseios trazem o vazio,
E levam o que não foi para sempre!


Os fantasmas, à noite, aparecem,
E melancólicos, fustigam a solidão!
Quantos sonhos por ti fenecem?!
Quantos escorrem pelas mãos?!

(® P.O.Velásquez)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

É a Vida...

Chegamos assim, de mansinho e, devagarzinho vamos crescendo, vamos levando, vamos vivendo. Em certos períodos, é aquele sufoco que parece não ter mais fim, então, as lágrimas vêm e juntas, passam a inquirir: Para onde vamos? A estação se aproxima. Desceremos ou seguiremos adiante?
Nesses momentos, um sorriso indelével flutua no espaço e intocável - como o são todos os sorrisos -, desfaz nossos mais íntimos sonhos. Quando procuramos decifrá-lo, desaparece no ar, deixando em nós uma angustiante sensação de “déja vu”. E nisso, não sabemos se fomos ou não. Se já não passamos por ali em outros tempos. Impossível dizer se estamos dormindo ou sonhando acordados.
Somos assim, duas metades da mesma moeda. O amor e a razão. Lados opostos, porém, interligados num mesmo universo. A loucura dentro da razão! Não nos importa aonde chegar, tanto faz o caminho que tomarmos. A direção não interessa, o que importa em si é que sempre chegaremos a algum lugar.
É esse o sentido da vida? Buscar um final feliz ou viver da melhor maneira possível cada segundo acabado ou inacabado, como se ela fosse terminar abruptamente? A resposta está lá, no fim do túnel, mas quem garante que quando lá chegarmos, nós encontrará a tão auspiciosa luz?
Há de vivermos intensamente, bem o mal, mas vivermos. Sentirmos o prazer que é a vida. O êxtase de se viver com todos os sentidos completos! O agora é aqui, neste momento, o passado, não volta mais, o futuro não nos pertence, porém, o presente, este sim, é nosso! Podemos dispor dele como bem o entendermos, usufruí-lo sem medo ou restrições porque não sabemos o que pode acontecer no movimento seguinte da grande engrenagem que rege nossas vidas.
Diante das nossas vicissitudes, vão-se os dias numa melancolia infinda. Levam consigo nossas ansiedades, nossas desilusões, nossos sonhos e, em tudo isso, o que era nunca o foi e o que foi, nunca o tivemos.
À noite, um imenso vazio invade os recônditos mais secretos da nossa alma, e ela, que tanto procuramos resguardar das palavras desencontradas que ouvimos, sucumbe nos passos perdidos que nunca seguimos ou nas carícias trocadas que nunca esquecemos. E assim, a vida continua sua insofismável rotina e nós, escravos que somos dos seus caprichos, seguimos procurando vivê-la da melhor maneira possível...

(P.O.Veslázquez - 26/10/2008)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Rowena

Um flébil sino badalava no cimo da catedral. Impassível, apenas o silêncio respondia ao seu apelo.
Lá embaixo, passos longos e descarnados ecoavam na calçada da praça. Era ela.
Num segundo, estava à sua frente, mas, não me viu. Indiferente, cruzou comigo e nem sentiu minha presença. Seguiu num passo vacilante por entre as vielas mal iluminadas de Bucareste.
Os sonhos não eram mais os mesmos, tinham se perdidos no meio do caminho. Parou e olhou furtivamente para os lados, não viu ninguém, então, suas mãos remexeram nervosas dentro da bolsa. Procurou algo e o encontrou. Era um cachimbo. Por um momento, hesitou, mas seguiu em frente e o acendeu, e num pequeno estalo, junto à ingenuidade tênue, a fumaça sorvida lentamente esvaiu-se dentro da sua cabeça. Seus lábios se contraíram num meio sorriso nervoso. O coração acelerou. A temperatura do corpo subiu. A sensação de euforia foi momentânea. Em pequenas gotas, o sangue lhe escorreu pelos lábios e se misturou ao batom vermelho, todo borrado.
Tentou sorrir, mas o sorriso se transformou numa careta horrível. Era, em si, uma caricatura, pensou. Então, se lembrou da época em que fora feliz. Sim! Nessa época, os sonhos sobrepujavam a realidade e sonhar era natural. E ela sonhara! Por Deus, como sonhara! Eram sonhos tão vivos! Sonhos refletidos num olhar intenso e brilhante, porém, até os sonhos mais intensos morrem, ou se perdem com o tempo. Balançando a cabeça, afastou as lembranças, cabisbaixa.
De longe, eu a observei, e me surpreendi. Fitei seus olhos e vi que seu olhar não era mais como aquele de antigamente, não! O olhar que vi agora ia morto! Ia turvo num caminho sem volta!
Começou a chover. Em gotas cristalinas, a chuva misturou-se a solidão que lhe ia esquecida nos escaninhos de uma existência vazia. Agora vivia no limiar da loucura.
Vi-lhe a feição indefinida, ir assim, envelhecida pelo tempo que não lhe pertencia mais. Não podia dispor do tempo de outrora e não possuía mais o tempo de agora, daí se entregava às vicissitudes da vida.
Seguiu entorpecida, alheia aos acontecimentos, de volta a catedral. Sua tez era pálida. Seu olhar, apático. Um quê de desilusão surgiu nos seus olhos cansados.
Em passos vacilantes subiu até o alto da catedral, e observou a praça, lá embaixo, e por um momento ficou ali, parada, olhando vagamente, sem nada dizer.
Esse fora o caminho que escolhera. Essa fora a única saída que encontrara para si, então, lhe tocando ternamente a fronte, cingi-lhe o corpo, suavemente. Assim, abraçados, saltamos para o nada! E tudo se acabou...

(P.O.Velásquez – 26/10/2008)

As Mulheres

"(...)A verdade, quando não ofende, tem algo de ingênuo que agrada; e foi somente aos loucos que os deuses concederam o dom de a dizer sem ofensa e(...)as mulhres, tão naturalmente inclinadas para os prazeres e a futilidade, gostam muitíssimo dos loucos e(...)as mulhres são tão engenhosas quando se trata de pintar com lindas cores as suas tolices!(...)

O ELOGIO DA LOUCURA
Erasmo de Roterdã
1508

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Um dia... Um adeus...

Nem percebemos quando terminou. Só soubemos que acabou quando deixamos de fazer as coisas juntas, de pensar um no outro, enfim, de nos procurar. As horas começaram, então, a passar mais lentas, sem pressa. Não como antes! Não! Antes elas voavam ligeiras, iam céleres por segundos! Perdiam-se no afagar dos carinhos, nos beijos trocados as escondidas ou à luz clara do dia, na frente dos amigos ou inimigos. Nada importava naqueles sôfregos momentos! Quando nos dávamos conta, o tempo já tinha passado, e aí, pedíamos mais! Queríamos sempre mais, e mais e mais ainda! Não nos cansávamos, só queríamos mais uns minutinhos, era tudo o que a gente pedia, não obstante, tínhamos que nos contentar com o que fora dado, para, no dia seguinte, recebermos mais do mesmo.
Entretanto, o tempo foi passando, e a gente, ficando...
Muitos não conseguiram alcançar a tão desejada felicidade, desistiram de lutar, morreram, ou ficaram pelo meio do caminho, jogados nos cantos da vida, outros, conseguiram seguir adiante, mas arrefeceram com o tempo. Só uns poucos, bem poucos mesmo – separados é bem verdade -, conseguiram se eternizar e amadurecer na compreensão e na liberdade existente em si.
Outros passaram a nossa frente de relance, num atônito olhar. Deixaram suas marcas indeléveis gravadas nos nossos mais secretos desejos. Deixaram as coisas ardendo dentro do peito, lá dentro da alma! Não era preciso a gente tocar. Só tínhamos apenas que deixar a imaginação voar, e pronto, estávamos felizes. Numa festa, no shopping, no trabalho, sempre percebíamos aquele olhar esgazeado. Era fulminante na sua compreensão e agrado. Muitas vezes, desviávamos sem nos dar chance de arriscar, noutras, fixávamos os olhos e nos deixávamos levar pelos devaneios de uma admiração ou paixão.
Naquela época, os abraços estavam sempre prontos a nos acalentar quando sentíamos medo. Foram muitas as decepções nessa vida. Mas também tivemos bons momentos juntos, quando a gente ria pelo simples prazer de estar junto ao outro. As pessoas que nos olhavam, não entediam a nossa alegria, porém, porém, nós sabíamos o motivo. É que vivíamos com sorrisos abertos em palavras de carinhos e o que era mais importante nisso tudo, é que essas palavras estavam presas à fidelidade de uma convivência feliz, de um ouvir calado e de um falar sensato.
Mas isso foi há muito tempo, não foi? Desde então, as coisas mudaram. Os sonhos não se realizaram. O amor terminou. E aí, a gente cresceu, depois casou, descasou e casou novamente, e seguimos em frente - bem o mal -, com aquele ar cansado e melancólico pairando por sobre nossas mais solitárias noites.

(P.O.Velásquez - 30/11/08)

O Que é a Vida?

“(...)Ora, o que é a vida? Uma espécie de constante comédia, onde os homens, disfarçados de mil modos diferentes, aparecem em cena, e desempenham o seu papel(...)Na verdade, este mundo nada mais é que uma sombra passageira, mas é essa a comédia que nele se representa todos os dias(...)”

O ELOGIO DA LOUCURA
Erasmo de Roterdã

1508