segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Dois Anjos... (23/09/2009)

São duas marfíneas esculturas
Dos meus vívidos sonhos de outrora.
Dois anjos (uma sepultura!),
Descansam tão solitários agora...

Um anjo encima o teu mausoléu!
Outro descansa no frio do teu jazigo;
Dois anjos na terra, (outro no céu!),
Dois anjos aqui comigo...

Dois anjos num cinzelado mármore!
São duas esculturas
Que esculpi embaixo às árvores...

Tão belos... Alçam suas asas ao céu!
E na terra, (pétreas figuras),
Descansam sobre o teu mausoléu...

(P.O.Velásquez)

sábado, 24 de maio de 2014

Daquelas Desgraçadas Tardes de Verão... 14/05/2014


De nada para o nada, de nós dois...
Daquelas desgraçadas tardes de verão
Só nos restaram escassas lembranças
Num desesperado grito de  solidão...

Nossos sonhos assim morreram
Em abraços natimortos desde então...
Aos nossos braços desmembrados
Não se suturaram outras mãos...

Daquelas desgraçadas tardes de verão...
Daquele acaso sobrevindo
Só o sangue na areia marca o chão...

É assim o amor: - Uma fatal desilusão.
Destrói tão fundo a alma
Que alcança destruir o coração...

(P.O.Velásquez)


sábado, 28 de dezembro de 2013

À Sombra dos Laranjais (Eu)


Vão-se me encerrados numa abóbada, os dias,
E tanto e mais, as horas...
Imergem em mim embalsamadas alegrias,
Do nascer ao morrer da aurora...

À sombra dos laranjais vou morrendo
Assim como morrem, de um ramo em flor, os pomos...
Morro que morro vergastado pelo vento
Ao sabor das almas que me revolvem os sonhos...

Precipitados do pomar os sonhos mais maduros
Melancolicamente passam ao chão,
Assim como a vida passa com passos obscuros
Que tanto modificam sutilmente o coração...

Ora, mas o que me é a vida, assim, no viver à sombra,
Se não a dor que me dói mais?!
Se não o vento que balança tão esplêndida alfombra
E que ecoa à fina flor dos laranjais!

Não me vem à lembrança o orvalho da aurora ensolarado,
Não!...O que me vem são os lamentos doridos
Dos laranjais que perfumam os campos nunca sonhados
E os frutos nunca colhidos...

(P.O. Velásquez - 28/12/13)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Solstício de Saudades... (28/06/2011)




De cima do Equador 
Observo, tristonho, a cidade...
Inquiro a Deus onde ficou
Meus sonhos de mocidade?!

O solstício de verão é sevo...
Incide sobre a alma enrugada,
E o meu olhar se fecha cego
Da melancolia irradiada...

Entreabrem solidões, e abaixo
Do monumento petrificado
Reflete o sol, delgado facho...

Sonhos redivivos no Equador...
Na lembrança guardados
No esplendor que Deus criou...

(P.O.Velásquez)

sábado, 28 de julho de 2012

O Outono de Nós Dois... (01/06/2010)


Naquela tarde de outono
As folhas esvoaçavam pelo chão...
Carregavam com elas os teus sonhos...
Deixavam comigo a solidão...

Amarelo fulgor, sem igual...
Folhas - pela aragem fria -, varridas...
Folhas de abril na tarde outonal
Sobre o frescor da terra, caídas...

Em amarelas nuanças fulgiam vazias...
Fulgiam carregando a beleza...
O que restou de todos os meus dias...

Naquele outono, na frialdade da tarde,
Bem eram tuas as tristezas...
Bem eram minhas as saudades...

(® P.O.Velásquez)

domingo, 15 de maio de 2011

Um Buquê de Cravos Como Adeus... (17/04/2011)

Um buquê de cravos tristes,
Órfão dentro de um vaso vai assim abandonado...
Órfão buquê que a saudade insiste
Em deixar sobre o teu caixão depositado...

Desculpe-me por não serem cravos exuberantes...
São flores murchas da última estação...
Os mais belos cravos colhidos bem antes
De avançar sobre mim, a solidão...

Todo o cemitério vai mergulhando nas sombras...
E dos cravos, as pétalas fanas
Vão formando fúnebres alfombras...

Dou-te adeus num buquê despetalado...
Num buquê que rola pela grama,
E que melancolicamente se desfaz ao ser tocado...

(P.O.Velásquez)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Vida é Feita de Despedidas... (22/06/2010)

A existência é feita de despedidas...
E viver é como se despedir em um grito mudo!
E despedir-se da vida, das coisas vividas!
É existir como um fantasma jazendo nisso tudo!

No ventre materno, a expectativa é singela...
Nasce-se esperando a morte!...Dolorosa agonia!
A certeza de compreender que é ela!
Que um dia haverá de nos fazer companhia...

Somos assim, na vida: “Nascemos e morremos...”
Morremos, a cada dia, como vassalos!
Aprisionados a essa fatalidade que não cremos!

Vivemos, nesta terra, em passagem para o além!
E dizem: “a morte vem a cavalo!”
Mas tenho certeza que ouço o apito de um trem...

(P.O.Velásquez)